Arquivo de julho, 2013

Aonde Jesus iria…?

40 comentários

Gastei, junto com Rosana, minha esposa, um bom tempo lendo os comentários nas mídias sociais referentes à minha participação na Jornada Mundial da Juventude, evento católico que está ocorrendo agora aqui no Rio. – Julho 2013.

Mesmo sendo organizado pelo segmento carismático, é latente o quanto a Igreja evangélica brasileira é preconceituosa quanto à ramificação romana. Parece que, se Jesus resolvesse vir para o Rio nesta semana, em que o Papa também está por aqui, o último lugar aonde ele poderia pregar ou cantar seria em um dos eventos católicos. Apostasia, ecumenismo, se vendendo para Roma, desviado e outras, foram críticas à minha pessoa, fruto de leituras feitas por alguns dos meus seguidores, que parecem preferir que as pessoas católicas estejam isoladas do que, recebendo a palavra e ministração de um dos seus comuns, no caso eu.

Lembro de um fato em que Jesus ter sido também criticado por andar com publicanos, pecadores, prostitutas e a escória social de sua época, e por isso sem dó, foi condenado, pela religiosidade insípida e sem vida dos judeus, que não se importavam com o futuro das Marias Magdalenas, e Zaqueus. Tinham pedras nas mãos sempre prontas para atirar sem conhecer portanto o coração do Mestre que sem dúvida amava e ama a todos sem distinção.

Se Jesus estivesse aqui sem dúvida estaria nas concentrações. Compartilharia com a multidão de estrangeiros que chegaram comigo da Europa esta semana, buscando alguma coisa que muitos deles não sabe o que é. Quando recebi o convite do Fraternidade Carismática de Roma na figura de seu presidente Mateo Callisi ele disse: você tem algo pra compartilhar que será uma bênção para nós. Sim eu tenho. Tenho o Espírito Santo guiando minha vida, família e ministério a quase 40 anos. Tenho cânticos que proclamam a glória de Deus, que entronizam Cristo e não deixam dúvida que o Reino de Deus que eu vivo é inabalável. Sim, carrego em meu peito uma chama acesa que o Pai insiste em renovar para compartilhar a toda criatura. Ando pelo mundo afora falando de uma amor que transformou a minha vida na Cruz e pode faze-lo com qualquer pessoa, seja ela evangélica, católica, islâmica ou ateu.

Me espanta, o quanto até mesmo pastores, ficam inertes frente ao movimento natural de eventos no mundo. Em uma concentração de gente como essa, nosso povo fica de longe criticando qualquer iniciativa de aproximação, quando deveria estar na rua acolhendo, compartilhando e mostrando amor. Deviam se perguntar porque meu nome foi escolhido e aceito para um evento internacional coordenado pelo Vaticano? Em vez de pensar, como muitos, o mal, pensem sim o bem. Pensem que é uma oportunidade que o Pai está dando a este servo, de ser sal e luz para esta gente.

O homem nada tem, se do alto não lhe for dado. O céu abriu esta porta. Se Jesus estivesse fisicamente entre nós, ele estaria junto a mim, Bené Gomes, Isaías Carneiro, Mike Herron e Mateo Calisi proclamando a Glória do Pai e cantando “Eu sei que foi pago um alto preço”. Estaria curando vidas, trazendo verdade e salvação a todos.

Que bom, entretanto, que a grande maioria dos comentários que li, entendem o momento e oportunidade, assim como meu pastor Moysés Cavalheiro de Moraes, o fez, e estão comigo em oração. Entendo assim, que a miopia é parcial e minoritária no povo evangélico. Mesmo que não haja uma estratégia central da Igreja para abençoar esta gente, hospedando e mostrar amor, pelo menos uma grande parte do povo de Deus já entende que Deus tem uma só Igreja neste mundo que não é nem católica nem evangélica mas é simplesmente IGREJA, a noiva de Cristo. Para esta IGREJA vou junto com minha esposa, filho e banda ministrar amanhã, seguro e impulsionado pelo Espírito Santo e sustentado por uma multidão de irmãos em oração.

No amor do Pai Asaph

No passo dos meninos

1 comentário

No passo dos meninos (Asaph Borba)
“… eu seguirei, guiando-as pouco a pouco, no passo do gado que me vai a frente  e no passo dos meninos” – Gênesis 33:14
O dia frio não impediu que eu e minha família, caminhássemos pela 7aAvenida até o Central Park, na cosmopolita Nova York. O vento gelado de pleno janeiro mostrava que o inverno americano, que ainda estava pela metade, veio para ficar. Assim que atravessamos a Rua 59, deparamo-nos com o imponente  parque no coração da Big Apple. Palco de cenas inesquecíveis em dezenas de filmes e shows que alimentam o imaginário de toda uma geração. A gigantesca área verde é linda de ver. Os esquilos que sobem e descem das árvores dão um show a parte, assim como as carruagens puxadas por cavalos esguios, completam o charme.
André, meu caçula, montou em seu skate long board, recém comprado, e desceu ladeira a baixo em uma das vias pitorescas do parque, fazendo do momento uma experiência inesquecível. Eu, como todo pai coruja, fui, com a máquina fotográfica, atrás do menino, correndo e clicando cada manobra, para não perder nenhum instante do passeio e da euforia do filho caçula.
Entretanto, olhando para traz, no horizonte, vinham bem devagar a mamãe Rosana e nossa filha Aurora. As duas encarangadas de frio, mesmo com as roupas apropriadas de inverno, pareciam ter outra expectativa do passeio. Ao ver isso, imediatamente esqueci um pouco do André e seu skate e voltei para acompanhar a dupla que tinha ritmo próprio: lento.
Assim que as alcancei, peguei na mão da minha filhinha e fui caminhando bem devagar, enquanto perdia o outro de vista no horizonte. Foi então que lembrei do texto de Gênesis, no qual Jacó não aceitou o convite de seu irmão Esaú para seguir rápido a diante, em vez disso, firmou o desejo de ir no passo dos meninos, isto é, na velocidade dos seus filhos, que tinham uma marcha muito mais lenta do que o normal, e por isso precisavam de sua orientação, presença e proteção.
Minha Aurora é uma menina portadora de necessidades especiais, em função de uma síndrome. Anda sempre mais devagar do que seu irmão e as outras crianças. Na medida em que foi crescendo, eu ficava penalizado de sua condição, mas fui aprendendo que ter pena não ajudava em nada no seu desenvolvimento. O que ela precisa mesmo, é de quem caminhe ao seu lado. Nosso desafio como família é portanto este: andar junto com ela na sua cadência, e dessa forma então, alcançarmos os alvos.
Nos últimos anos tenho tirado as terças feiras, para irmos a um parque em nossa cidade, aonde tem uma pista bonita e arborizada para caminhar. Para minha surpresa, alí ela aprendeu andar sozinha no seu próprio ritmo. Às vezes ouvindo música, outras em silêncio, mas lá vai ela, passo a passo mostrando que é possível ir adiante, pela vida a fora, sem pressa. Eu fico correndo na mesma pista enquanto ela anda. Em uma de nossas últimas caminhadas, entretanto, ela disse: pai, hoje eu quero que tu caminhes comigo? A princípio eu relutei, pois abortava minha corridinha, mas logo lembrei do Central Parque e da decisão de Jacó. É importante realçar, que naquele momento de restauração do relacionamento com seu irmão, o mais indicado era correr na frente com ele, mas decidiu ir no passo dos meninos.
Tenho aprendido que, quando ando ao lado de meus filhos, nos seus passos, tenho a oportunidade de assim, chegar mais perto dos seus corações, e isto lhes dão segurança e me dá muita alegria. Quantos pais perdem o coração dos filhos por não andarem ao lado deles.
Voltando para o passeio narrado no princípio, a caminhada com a Aurora trouxe também outros resultados. Na sua velocidade, ela nota coisas e principalmente pessoas, que na correria da vida ninguém vê. Na nossa fria e lenta caminhada de repente ela avistou ao longe uma família sentada nas pedras e foi então devagar se aproximando. A chegar pertinho,  pode ver que falavam português e o contato logo se fez. Além de cristãos, eram familiarizados com minha música e em seguida, fotos e alegria, que fizeram para todos um momento especial. Com a Aurora isto é muito comum. Sua vida é repleta destes encontros inusitados, resultantes de seu ritmo. Além disso, sempre tem tempo para o último beijo e abraço de despedida, e uma atenção sem interesse fruto apenas de valorizar cada momento.
Noto, em minha própria vida, o quanto a correria priva da comunhão e de momentos prazerosos. Olha-se muito para frente, e os alvos se tornam imperativos e obsessivos, e por isso temos a tendência de deixar os meninos para traz. Não apenas nossos filhos. Mas podemos aqui contar como meninos, todos aqueles que não podem correr a frente. A escolha de Jacó, contudo, nos desafia a pesar. Ele esperou ansioso, pelo encontro histórico com seu irmão, mas, na hora de decidir, não caiu na tentação de deixar para trás seus meninos, família, filhos e filhas, indo em busca de qualquer outro benefício. Entre seguir mais rápido e ficar para proteger e acompanhar, optou pela segunda. Sem dúvida, o filho de Isaque nos deixa esta lição de ouro: seguirei … no passo dos meninos !