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PELAS VILAS E CIDADES

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“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.” (Mateus 9.35 a 37)
evangelhoNesses dias tive a alegria de exercer o ministério como Jesus o fazia. Cada dia em uma cidade, levando a palavra e o amor de Deus, junto com meu amigo e irmão, Rodrigo Gutierrez de Umuarama, acompanhado também por minha esposa Rosana e filha Aurora. Passamos pelos vastos campos do interior do Paraná, repletos de plantações de trigo, milho e soja e vendo esta paisagem as palavras de Cristo não saíam do meu coração: “a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”.

Conversando com os pastores de cada localidade, pode-se ver o quanto estão sozinhos. “Dificilmente alguém aparece para ministrar e abençoar estas pequenas igrejas”, declarou um deles. Frequentemente tentam contatar cantores e artistas gospel, assim como proeminentes pregadores dos grandes centros, mas raros se dispõem a encarar as horas de carro e os poucos recursos disponíveis para a missão.
Entretanto, esse tipo de ministério não começou agora em minha vida. Meus pastores, Erasmo Ungaretti e Moysés Moraes faziam isso nos primeiros anos de nossa comunidade, e constantemente me levavam com eles. Casualmente, diversas vezes viemos nessa mesma região do Oeste do Paraná, disseminando avivamento, sempre com o intuito de abençoar as cidades e povoados do vasto interior de nosso país.
Aprendemos muito nesses rincões. Esses pastores fiéis e comprometidos com Deus que plantam suas vidas com o objetivo único de salvar gente simples, que vai povoar o céu, são fontes de inspiração. Verdadeiros heróis da fé, anônimos para o mundo evangélico, mas íntimos de Deus.

Assim, quando ergo meus olhos e vejo os campos, não vislumbro apenas os países longínquos do Oriente Médio que visito anualmente, nem tampouco os exóticos Nepal e Senegal agendados para este ano, mas vejo também essas infinitas cidades e povoados a onde por certo deixo também um pedacinho do coração para poder voltar em breve.

Crises

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Nesses últimos dias tive a oportunidade de viajar com minha esposa Rosana por seis nações, cinco na Europa e uma na África. Em todas elas ouvi a palavra crise.

Na Eslovênia, aonde participei de um encontro de casais cristãos, a crise citada era relacionada à família, filhos e casamento. Sem falar, que ao andarmos por aquele pequeno país via-se também, os reflexos de uma profunda crise econômica, pela qual passa toda a Europa, com altos índices de desemprego e até mesmo inflação.

Já na Itália, além da crise econômica, a política traz incertezas, como ocorre ainda na Áustria e Portugal. Na Alemanha, entretanto, só o que se fala é dos desdobramentos que uma nova lei aprovada recentemente, de não mais haver necessidade de se declarar o sexo de quem nasce, para que essa criança decida mais tarde, no decorrer da vida, se quer ser homem ou mulher. O que leva a próxima geração a crescer sem o conceito natural de feminino e masculino. Crise do ridículo, para quem tem algum bom senso. Na África do Sul, último país visitado, a crise financeira é atenuada pelas riquezas naturais, abundantes daquela nação, mas estes recursos têm sido profundamente dilapidados pela corrupção e desgoverno, que traz uma crise social que existe ainda, à sombra do apartheid, que separava e discriminava os negros da minoria dominante branca. O regime foi embora, mas deixou um abismo racial que se reflete em toda as esferas da sociedade, agravado pelo alto índice de imigrantes oriundos dos encrencados vizinhos, sempre em guerra. É um país também com crises.

Quando falamos do Brasil, o que tem tido repercussão na mídia internacional, é o esfacelamento rápido do império financeiro de Eike Batista, que construiu um castelo de areia que ruiu recentemente. As evidências mostram que o empresário fez  tudo com o aval dos últimos mandatários nacionais, que foram no mínimo coniventes com o mau emprego de volumoso dinheiro público do BNDES, neste e em outros empreendimentos, que por certo poderá aprofundar o buraco de credibilidade, gerando assim  dificuldades em um futuro próximo. A aparente prosperidade nacional começa a mostrar suas fraquezas.

As trevas são a ausência de luz, assim como as diferentes crises do mundo, mostram a ausência da Igreja, que é  a luz do mundo. Por isso para a Igreja, toda crise é uma oportunidade. São nas horas de incertezas, de qualquer ordem, que o espírito humano se volta para o sobrenatural, sem dúvida, procurando Deus. Prova disso é o quanto cresce na Europa e nas nações desenvolvidas a busca pelo místico. Milhares de pessoas procurando qualquer coisa que possa preencher o vazio, que se torna mais visível em meio às crises.

Fui com Rosana, minha esposa,  orar na casa de um casal nas redondezas de Frankfurt, Alemanha, em que a filha ainda adolescente, se tornara satanista. Em função de tudo isso, um número que todos tentam esconder, principalmente, na Europa, é de suicídios, dilema que assola aquele continente e muitas outras nações no mundo, problema esse que se agrava em épocas difíceis.

Assim sendo, é possível ver que todas as crises, não importando a natureza, são fruto de um distanciamento de Deus e da fé. Um dia um jovem alemão me disse: “Não precisamos mais de Deus, pois temos nossas leis que fazem da Alemanha um estado e do continente europeu uma sociedade perfeita”. Porém, hoje vê-se que, esta afirmação não é verdadeira. Nenhum estado, sistema político ou econômico preenche o vazio do coração.  Pode atenuar o impacto social e financeiro na vida das pessoas, mas é provado ser inócuo contra as trevas e dilemas internos, que geram as crises pessoais humanas, que são as mais profundas.

As trevas são a ausência de luz, assim como as diferentes crises do mundo, mostram a ausência da Igreja, que é a luz do mundo. Em meio a crises é que devemos ser mais fortes como igreja. Cumprir nossa função de sermos sal e luz, que é o que pode não apenas atenuar as crises, mas sim, acabar com elas. Quando Deus entra em qualquer assunto, transforma. Quando alguém nasce de novo, acaba a crise, tanto na vida quanto na família ou nação, pois tudo entra na economia de Deus, na sociedade de Deus, na política de Deus e no mais bem-sucedido projeto no mundo chamado: família de Deus. O eterno cuida e zela por sua família dia e noite, pois como está escrito no Salmo 127.2: “Aos seus amados ele dá enquanto dormem”. Deus é especialista em transformar desgraças e crises em bênçãos, não importando se essas são pessoais, nacionais ou globais. “Entrega o teu caminho ao Senhor confia nele e o mais ele fará” (Salmo 37.5).