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JORDÂNIA 2017 – 20 ANOS DE SERVIÇO AO REINO

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Jordânia 2017 – 20 anos – Asaph Borba

Quando o avião, vindo de Istambul, aterrissou em Amã, na Jordânia, na madrugada do dia sete de junho, meu coração acelerou naturalmente, como acontece toda vez que chego em algum lugar do Oriente Médio. A emoção de dar continuidade ao nosso projeto, que já dura 20 anos, é intercalada pela tensão que nos dias de hoje existe nos aeroportos de todo o mundo. Particularmente, nos últimos três anos, minha chegada em diferentes países dessa tumultuada região, tem sido marcada por longas abordagens de agentes de segurança. Entretanto nada disso, consegue roubar a alegria de servir a Deus em uma seara que tem muito trabalho e poucos trabalhadores. Porém, para minha surpresa, dessa vez foi diferente. Um agente aeroportuário, enviado pelos nossos amigos, esperava a mim e a minha esposa Rosana na saída do avião e fez com que essa entrada no país fosse absolutamente tranquila. O homem desconhecido parecia um anjo. Ia na frente falando em árabe e liberando tudo e abrindo as portas.

Depois de um breve descanso, na casa de meu amigo Amer Matalka que desde o primeiro dia em que cheguei na Jordânia tem sido um parceiro fiel, fomos para a reunião na primeira agenda dessa emblemática e importante etapa de trabalho, que marcaria a continuidade de nosso ministério na região.

A Igreja Aliança, que nos recebeu nesse primeiro dia, é uma das verdadeiras embaixadas do Reino de Deus no Oriente Médio. Seus projetos acolhem e ajudam milhares de pessoas nessa época difícil. O rebanho aumenta naturalmente no meio da crise, porém, sempre é bom encontrar essa gente fiel que mantém a chama acesa do evangelho no decorrer dos anos. Para esta reunião de quinta feira, que é a principal da igreja, antes de sair de Porto Alegre recebi um recado de um dos líderes: você vai ministrar o louvor e por favor, nos fale sobre o Espírito Santo. A mensagem ardeu meu coração, justamente por estar sendo este o assunto que tem me impactado nos últimos dias. Tenho tido experiências ministeriais marcantes com o Espírito de Deus, e este pedido só confirmava a direção. Não preciso dizer o quanto este encontro foi abençoado. A atmosfera era aquecida pela doce presença do Senhor em nosso meio.

No dia seguinte, seria a tão esperada reunião comemorativa de meus vinte anos de ministério na região. A Igreja Assembleia de Deus abriu as portas para o evento, que incluía café da manhã as reuniões e o almoço no meio da tarde. Tive a surpresa de receber um grupo de amigos do Líbano liderados pelo músico Lou Saloun. Os demais eram também músicos e pastores de Amã assim como vários brasileiros que moram ou visitam a região e também se fizeram  presentes. Por quase três horas louvamos a Deus e pude compartilhar as diversas facetas de nosso ministério que inclui inúmeras gravações de CDs, DVDs, programas de rádio e vídeo clipes. Também publicamos um dos meus livros na língua árabe e organizamos 14 congressos de adoração envolvendo uma grande parte da cristandade de cerca de 17 nações da região. Contudo, o que para mim foi mais relevante, é o relacionamento de confiança, amor e amizade profunda entre todos os que fizeram parte desse longo e bem sucedido projeto gerado por Deus em nosso coração. Projeto esse, que trouxe bênção e edificação a todos nós que dele participaram.

Nos dias seguintes, ainda ministramos novamente na Igreja Aliança, Igreja Batista e Igreja do Nazareno, todas em Amã, e ainda na Assembleia de Deus de Zarqa, cidade a 40 minutos de Amã. O assunto era sempre o mesmo: O derramar do Espírito Santo e a unidade da Igreja. Em um dos aeroportos compus um cântico novo sobre os rios de água viva, o qual traduzimos em uma das noites e foi de grande bênção por onde passávamos.

A segunda etapa da viagem foi marcada pela nossa participação na gravação do novo CD e DVD do ministério de Louvor Diante do Trono, de Belo Horizonte, Minas Gerais, liderado por nossos amigos, Gustavo e Ana Paula Bessa, que chegaram na Jordânia acompanhados da família, banda, técnicos e um contingente de 180 fervorosos irmãos com quem cantamos e louvamos a Deus por cinco dias, pois além da gravação, diariamente tínhamos momentos intensos de celebração e oração em lugares como Petra, o deserto de Wadi Rum, Monte Nebo, aonde Moisés avistou a Terra Prometida, e nas ruínas de Jerash uma das decápolis bíblicas. Sem dúvida esses lugares turísticos do pequenino e aconchegante Reino Hashemita da Jordânia, nunca antes receberam uma celebração a Deus e a Cristo como esta que fizemos. Em cada lugar oramos e profetizamos paz, prosperidade e bênção a essa nação que hoje abriga cerca de 4 milhões de refugiados oriundos dos países vizinhos que estão em guerra a mais de cinco anos.

Para o futuro deixamos a possibilidade de investimentos em conferências que visem alcançar, majoritariamente a geração mais jovem que, assim como em toda parte, gradativamente tem perdido a identidade com a Igreja. Esperamos poder colaborar com essa urgente realidade agravada ainda, por um êxodo dessa nova geração, para países desenvolvidos onde buscam estudo e trabalho e segurança.

Que venham mais vinte anos. Queremos continuar abençoando esta parte distante e extremamente necessitada do Corpo de Cristo, com quem temos um profundo vínculo de amor.

Em Cristo

Asaph e Ligia Rosana Borba

PROJETO GUINÉ BISSAU

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Projeto Guiné Bissau – Asaph Borba

O pequeno aeroporto de Bissau, Capital de Guiné Bissau, parecia semideserto, quando chegou o avião vindo de Lisboa às 22:20h, com cerca de 200 pessoas que, rapidamente, lotaram o saguão único do aeroporto. Depois de uma longa espera, pagamos o visto, que custou 85 euros por pessoa. Ao pegarmos a bagagem, fomos sem embaraços, liberados, quando viram que nossas gigantescas malas eram basicamente de ajuda humanitária. Roupas, sapatos e remédios, entre outras coisas tínhamos mais de duzentos quilos, que com generosidade, foram enviadas pela Igreja de Porto Alegre.
Carregar uma caminhonete cabine dupla com tudo o que trouxemos, que se juntava às compras feitas durante o dia por nosso motorista, foi outra façanha. Enquanto isso, o calor úmido castigava. Logo consegui uma garrafa de água fria e tratei de matar a sede do grupo e também, de algumas crianças que brincavam por ali, que ao verem líquido precioso vieram correndo com as boquinhas escancaradas gritando: água, branco, água! Atendendo ao clamor dos miúdos, deixei cair um saboroso gole para cada uma delas, que representaram o meu bem vindo, para uma semana muito abençoada nesta pequena, mas importante nação do oeste africano, que teve sua independência de Portugal em 1974.
A viagem para Jemberem, a 365Km no interior do país, foi uma aventura. A estrada, a princípio, asfaltada, foi desaparecendo no meio da selva, tornando-se cada vez mais difícil de trafegar. O horário avançado, pois já passava da meia noite e o cansaço me fizeram adormecer na maior parte das quase seis horas de jornada. Acordava de vez em quando com os solavancos, mas, dormi a maior parte do tempo, até chegar na sede da Missão Cristã de Jemberem coordenada por Jorge e Vera Feistler, nossos irmãos de Porto Alegre, que estão há 22 anos no País, (os últimos 13 em Iemberem)  e com alegria nos esperavam já com o dia amanhecendo.
Além de trazer ajuda e recursos para diferentes áreas, nosso objetivo era ainda, ministrar no retiro de Páscoa, que pela primeira vez, a missão realizava, na distante cidade do interior da Guiné. Os amigos de viagem Marco Reis e Vinicíos Gonçalves repartiriam comigo as palestras, e eu estaria, junto com os músicos locais, responsável pela música do evento, que seria falado e cantado em português e traduzido para a língua crioula.
A missão, A Fim de Proclamar, trabalha na região há 22 anos e hoje, atua em diferentes  áreas. A mais importante é a Igreja, hoje com cerca de 140 pessoas vinculadas e dois pastores nativos. Há também uma escola de ensino fundamental com 250 alunos, e um ambulatório que atende, aproximadamente, 480 pessoas por mês vindas diariamente de outras vilas e tribos da região, extremamente carentes de qualquer recurso médico. O trabalho já se multiplicou em um projeto semelhante, em uma das vilas próximas, para onde foi um dos obreiros locais, apoiado por alguns outros missionários brasileiros que prestam o mesmo tipo de serviço à comunidade. A missão está ampliando seu potencial com a construção de uma estrutura de maior porte, que visa oferecer atendimento ambulatorial e odontológico.
O congresso realizado no feriado da Páscoa, reuniu 170 pessoas, muitas delas iniciando a sua experiência cristã, que foi, por certo, consolidada no evento de três dias. No evento foi oferecido aos participantes, hospedagem e alimentação, esta servida com ingredientes típicos da região com base no arroz, molho de amendoim, algum peixe defumado e pimenta, regados com suco de manga e ainda tendo o caju como sobremesa, frutas estas abundantes na região.
Fora os aspectos culturais, que sempre chamam atenção, nossa visita foi marcada pela integração  com a comunidade local de maioria muçulmana, mas que tem um convívio amistoso com a minoria cristã, que cresce devagar mas de forma consistente, baseada em respeito, serviço e amor.
Os trabalhadores brasileiros são exemplares. Além da capacidade e chamado inequívoco, todos são incansáveis no serviço. Acordam diariamente cedo e dormem tarde, sem medir esforços em servir aquele povo tão carente e necessitado do amor de Deus, que sem dúvida, é o maior testemunho que se pode dar em um dos lugares mais carentes que já conheci. Quem vem de fora é impactado, não apenas com a experiência da rudimentalidade africana, mas sobretudo, em conviver com pessoas que vão além de suas aspirações pessoais e se tornam, pela abnegação e amor sem limites, homens e mulheres dos quais o mundo não é digno, como afirma o texto de Hebreus 11:38 e 39, em função do bom testemunho de fé e serviço ao Senhor.
Vi ali, um solo fértil, no qual todos podemos semear!