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PROJETO GUINÉ BISSAU

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Projeto Guiné Bissau – Asaph Borba

O pequeno aeroporto de Bissau, Capital de Guiné Bissau, parecia semideserto, quando chegou o avião vindo de Lisboa às 22:20h, com cerca de 200 pessoas que, rapidamente, lotaram o saguão único do aeroporto. Depois de uma longa espera, pagamos o visto, que custou 85 euros por pessoa. Ao pegarmos a bagagem, fomos sem embaraços, liberados, quando viram que nossas gigantescas malas eram basicamente de ajuda humanitária. Roupas, sapatos e remédios, entre outras coisas tínhamos mais de duzentos quilos, que com generosidade, foram enviadas pela Igreja de Porto Alegre.
Carregar uma caminhonete cabine dupla com tudo o que trouxemos, que se juntava às compras feitas durante o dia por nosso motorista, foi outra façanha. Enquanto isso, o calor úmido castigava. Logo consegui uma garrafa de água fria e tratei de matar a sede do grupo e também, de algumas crianças que brincavam por ali, que ao verem líquido precioso vieram correndo com as boquinhas escancaradas gritando: água, branco, água! Atendendo ao clamor dos miúdos, deixei cair um saboroso gole para cada uma delas, que representaram o meu bem vindo, para uma semana muito abençoada nesta pequena, mas importante nação do oeste africano, que teve sua independência de Portugal em 1974.
A viagem para Jemberem, a 365Km no interior do país, foi uma aventura. A estrada, a princípio, asfaltada, foi desaparecendo no meio da selva, tornando-se cada vez mais difícil de trafegar. O horário avançado, pois já passava da meia noite e o cansaço me fizeram adormecer na maior parte das quase seis horas de jornada. Acordava de vez em quando com os solavancos, mas, dormi a maior parte do tempo, até chegar na sede da Missão Cristã de Jemberem coordenada por Jorge e Vera Feistler, nossos irmãos de Porto Alegre, que estão há 22 anos no País, (os últimos 13 em Iemberem)  e com alegria nos esperavam já com o dia amanhecendo.
Além de trazer ajuda e recursos para diferentes áreas, nosso objetivo era ainda, ministrar no retiro de Páscoa, que pela primeira vez, a missão realizava, na distante cidade do interior da Guiné. Os amigos de viagem Marco Reis e Vinicíos Gonçalves repartiriam comigo as palestras, e eu estaria, junto com os músicos locais, responsável pela música do evento, que seria falado e cantado em português e traduzido para a língua crioula.
A missão, A Fim de Proclamar, trabalha na região há 22 anos e hoje, atua em diferentes  áreas. A mais importante é a Igreja, hoje com cerca de 140 pessoas vinculadas e dois pastores nativos. Há também uma escola de ensino fundamental com 250 alunos, e um ambulatório que atende, aproximadamente, 480 pessoas por mês vindas diariamente de outras vilas e tribos da região, extremamente carentes de qualquer recurso médico. O trabalho já se multiplicou em um projeto semelhante, em uma das vilas próximas, para onde foi um dos obreiros locais, apoiado por alguns outros missionários brasileiros que prestam o mesmo tipo de serviço à comunidade. A missão está ampliando seu potencial com a construção de uma estrutura de maior porte, que visa oferecer atendimento ambulatorial e odontológico.
O congresso realizado no feriado da Páscoa, reuniu 170 pessoas, muitas delas iniciando a sua experiência cristã, que foi, por certo, consolidada no evento de três dias. No evento foi oferecido aos participantes, hospedagem e alimentação, esta servida com ingredientes típicos da região com base no arroz, molho de amendoim, algum peixe defumado e pimenta, regados com suco de manga e ainda tendo o caju como sobremesa, frutas estas abundantes na região.
Fora os aspectos culturais, que sempre chamam atenção, nossa visita foi marcada pela integração  com a comunidade local de maioria muçulmana, mas que tem um convívio amistoso com a minoria cristã, que cresce devagar mas de forma consistente, baseada em respeito, serviço e amor.
Os trabalhadores brasileiros são exemplares. Além da capacidade e chamado inequívoco, todos são incansáveis no serviço. Acordam diariamente cedo e dormem tarde, sem medir esforços em servir aquele povo tão carente e necessitado do amor de Deus, que sem dúvida, é o maior testemunho que se pode dar em um dos lugares mais carentes que já conheci. Quem vem de fora é impactado, não apenas com a experiência da rudimentalidade africana, mas sobretudo, em conviver com pessoas que vão além de suas aspirações pessoais e se tornam, pela abnegação e amor sem limites, homens e mulheres dos quais o mundo não é digno, como afirma o texto de Hebreus 11:38 e 39, em função do bom testemunho de fé e serviço ao Senhor.
Vi ali, um solo fértil, no qual todos podemos semear!

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