Arquivo de abril, 2015

O LONGO INVERNO ÁRABE

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A praça Tahrir no centro do Cairo está vazia. Em vez da multidão ávida por mudanças, uma grande bandeira do Egito tremula no local aonde iniciou a tão festejada Primavera Árabe, em 11 de janeiro de 2011. Entretanto, depois de quatro anos do evento, que parecia estar mudando a face política das nações do Oriente Médio e norte africano, o quadro é outro. Na sequência do anseio democrático egípcio, quem subiu ao poder foi o Sr. Morcy, representante da Irmandade Muçulmana, braço político que há anos, tenta impor a lei islâmica na região. Porém o radical durou apenas um ano no poder. Os militares moderados trataram de desempossa-lo e novas eleições foram propostas. E assim, a sonhada liberdade e flexibilização dos costumes nunca chegou, mas o país se manteve estável.

Sem igual sorte, países como Iraque, Síria e Líbia entraram em colapso. Dentro desse ambiente surgiu o ISIS (Slamic State of Iraq and Syria), que nada mais é que um levante sunita contra os shiitas, financiado por Arábia Saudita e Qatar e debaixo das vistas grossas da Turquia.  Já a Líbia, fornecedora de gás e petróleo para a Europa está em colapso. As disputas de tribos, milícias, Isis, e outras forças surgidas depois da queda do ditador Kadaffi, fazem do país um verdadeiro inferno. Diariamente milhares de pessoas desesperadas aventuram-se no Mediterrâneo em busca de um refúgio, fazendo da costa europeia, um cemitério macabro.
O mundo árabe contudo, não mudou em nada. A economia na região registra os mais baixos índices da história recente. Hotéis quebrados e vazios dão o tom do sumiço dos turistas que querem ficar longe das degolas e incertezas sócio políticas da região turbulenta.

Os cristãos, continuam debaixo de grande pressão e perseguição por partes de radicais islâmicos, que se multiplicam no mundo árabe. A radicalização, insuflada pela leniência americana e europeia, abriu espaço para o crescimento desse radicalismo, fazendo das minorias um alvo fácil do ódio muçulmano. Governos mais moderados e organizados como o da Jordânia, fazem o que podem. Porém com os polpudos financiamentos dos abastados do golfo e com a inércia turca, a carnificina instalou-se contra as minorias , mulheres e crianças. Por incrível que pareça, o Irã acaba sendo a voz mais sensata na região. Pois o país dos aiatolás tem influência sobre todos. Domina o Hezbollah no Líbano; controla o Hamas e Fatah na Palestina; é o sustentador do governo Assad na Síria e está claramente dialogando com os radicais do ISIS, buscando uma solução para a região do Levante, que lhe é fronteiriça– Norte do Iraque e Síria, o campo dos conflitos.

No meio de tudo isso o que parece ter maior importância para as potências é se o Irã vai ou não poder fazer a bomba atômica. Enquanto isso, número de refugiados, nas fronteiras do Egito, Jordânia, Turquia e Líbano já ultrapassa os três milhões, órfãos e viúvas são milhares, sem nenhuma perspectiva à sua frente. O mundo conectado assiste inerte ao genocídio diário que mostra inocentes em macacões laranjas sendo imolados, pelo simples fato de serem cristãos, ou de uma outra facção islâmica que pensa diferente. As mulheres, cada vez mais subjugadas e abusadas, escondem-se atrás dos véus negros, que parece ser sua única proteção.
Quem visita a região com seriedade, não pode ficar inerte. Algo tem que ser feito urgentemente. O Brasil recentemente abriu uma frente parlamentar para refugiados, com foco prioritário em órfãos do mundo árabe. Esta iniciativa apoiada por parlamentares de diferentes partidos, debaixo da liderança do mineiro Leonardo Quintão, com o apoio da ANAJURE – Associação Nacional de Juristas Evangélicos, frente na qual também estou engajado como jornalista e consultor internacional, tem como objetivo socorrer e trazer para nossa terra prioritariamente crianças, que se aglomeram aos milhares em campos da ONU, localizados nas fronteiras desérticas da região.Como cristãos brasileiros chegou a hora da ação. Muitas igrejas e grupos evangélicos já estão engajados em fazer a diferença.

Assim como juristas, parlamentares e diplomatas estão fazendo, cada pessoa, cada cristão e Igrejas podem fazer a sua parte em oração, missão e auxílio, não apenas no Brasil, mas pelo mundo afora. Dessa forma o mundo árabe poderá então conhecer a verdadeira e tão sonhada primavera.

Asaph Borba do Cairo, Egito.MULÇUM

 

PERFEITA AOS OLHOS DO PAI

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Aurora corria pela casa em seu andador, com o olho esquerdo tapado, fruto da oclusão receitada pelo oftalmologista Dr. Paulo Horta Barbosa, que desde os onze meses começou a cuidar de seu problema de estrabismo, já acentuado. Um óculos tentava corrigir a ambliopia (olho preguiçoso) causada pelo estrabismo, no olho direito, e a hipermetropia decorrente, no olho esquerdo. O quadro comprometia os movimentos, o desenvolvimento e, principalmente, o humor de nossa querida filha.

Não foi uma tarefa fácil. Algumas vezes, os óculos foram jogados pelas janelas da casa ou do carro. Outras, ele simplesmente caía de seu rosto ao baixar a cabeça. Depois, ela descobriu que podia facilmente quebrar as hastes do frágil aparato incômodo. Porém, fomos perseverantes com a oclusão, que segundo o especialista, era vital para a salvação do olho amblíope. “Se fosse minha filha, eu até engessaria seus bracinhos para ela não tirar o oclusor!”, declarou o médico, convicto sobre o tratamento, em frente da mamãe apavorada. Vale ressaltar que, naquela época, esse tipo de tratamento era pioneiro e a Rosana não só abraçou o desafio, mas fazia os oclusores artesanalmente, pois não existiam no Brasil! E assim, entre oclusores, cerca de 12 ou mais pares de óculos, que já eram feitos de 2 em 2, por conta de “acidentes” e mudanças de grau, passaram-se três longos anos. Mas vencemos! A ambliopia foi corrigida, o estrabismo retrocedeu e a hipermetropia diminuiu, porém os óculos permaneceram.
Nos anos seguintes, descobrimos que nossa princesa era portadora da Síndrome de Prader-Willi, causa desse e muitos outros problemas, com os quais passamos a conviver diariamente.
Um dia, em um encontro em Brasília, um amigo vendo a dificuldade ocular, sugeriu o uso de um par de óculos com lentes de cores diferentes e nos presenteou um com o grau dela. Como haviam algumas pesquisas confirmando os benefícios deste tipo de tratamento no desenvolvimento óptico, ela o usou por um bom tempo.
E assim, Aurora foi pela infância e adolescência, com os óculos mudando a cada ano, às vezes mais de uma vez! Durante a etapa escolar a boa visão foi essencial. Acordava e logo ela ouvia: “Aurora, põe os óculos!” Constantemente, eu ouvia: “Papai, limpa meus óculos!” Na hora da saída, no meio da correria: “Aurora, onde estão os óculos?” Porém, chegamos até a fase adulta de nossa filha com o dito aparato visual cumprindo o seu papel de lhe permitir enxergar melhor. Aurora estudou até a oitava série em regime de inclusão, se formando no ensino fundamental, e ainda fazendo outras atividades como Kumon, piano, dança, inglês e tudo com boa qualidade visual.
As consultas com o oftalmologista começaram ser mais espaçadas, pois a hipermetropia estava estável e quase igual nos dois olhos, cerca de 1,0 grau. Para nós, isto já era um milagre, pois no início do tratamento do olho esquerdo, que não focava, a correção seria de mais de 10,0 graus! Então, uma freqüente queixa de dor de cabeça, que surgiu aos 23 anos, começou a nos causar preocupação. Depois de vários exames, até uma tomografia, achamos que poderia ser que os óculos estivessem com pouco grau, pois, às vezes, a Aurora estava confundido pessoas à distância.
Lá foi a Rosana para o competente oftalmologista, que há 23 anos cuida desses olhinhos. Na consulta, era um tal de põe lente e tira lente, lê longe e lê perto. E nada parecia que dava certo naquela tarde, até que, num ímpeto e sem avisar, o médico tirou todas as lentes do aparelho e Aurora leu. Longe, perto, pequeno e grande e, enfim, a declaração: “Esta menina está curada. Seus olhos não precisam mais de óculos e olha que o estrabismo dela era severo!” Rosana ficou num misto de surpresa e alegria, pela maravilha que Deus operara. Aurora demorou a compreender o que estava acontecendo, dizendo que tinha que colocar os óculos para ir ao Kumon. Então, a mãe e o doutor lhe disseram que não havia mais a necessidade de usá-los. Eu estava na Europa naquele dia e ouvi as notícias exultantes pelo celular, minutos após a consulta, com muita emoção e louvor.
Sabemos, sem dúvida, que tudo é fruto de perseverança e muita oração. Constantemente abençoamos nossa filha e profetizamos cura. O nosso querido pastor Moysés C. de Moraes unge frequentemente a Aurora com óleo em nome de Jesus, bem como os pastores Dari Pereira e Ricardo Glavam, (a pedido dela mesma!), pois cremos que o Senhor tem poder para curar. Recentemente gravei uma música clamando: “Cura minha filha, Senhor!”
Com isso, quero dizer que temos uma expectativa constante de cura da Aurora, não apenas dos olhos, mas de tudo. Entendemos, entretanto, que Deus vai curando a Aurorinha “a cada manhã”, pois ela é parte de um processo de muita bênção em nossa casa e temos certeza que um dia a veremos como Ele a vê: perfeita aos olhos do Pai!
Obrigado, Senhor, por tudo que Tu fazes e farás. Cura os nossos olhos, para que possamos te ver como Tu és, e dá-nos os Teus olhos, para que possamos ver como Tu vês!
AURORA