Arquivo de dezembro, 2013

Crises

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Nesses últimos dias tive a oportunidade de viajar com minha esposa Rosana por seis nações, cinco na Europa e uma na África. Em todas elas ouvi a palavra crise.

Na Eslovênia, aonde participei de um encontro de casais cristãos, a crise citada era relacionada à família, filhos e casamento. Sem falar, que ao andarmos por aquele pequeno país via-se também, os reflexos de uma profunda crise econômica, pela qual passa toda a Europa, com altos índices de desemprego e até mesmo inflação.

Já na Itália, além da crise econômica, a política traz incertezas, como ocorre ainda na Áustria e Portugal. Na Alemanha, entretanto, só o que se fala é dos desdobramentos que uma nova lei aprovada recentemente, de não mais haver necessidade de se declarar o sexo de quem nasce, para que essa criança decida mais tarde, no decorrer da vida, se quer ser homem ou mulher. O que leva a próxima geração a crescer sem o conceito natural de feminino e masculino. Crise do ridículo, para quem tem algum bom senso. Na África do Sul, último país visitado, a crise financeira é atenuada pelas riquezas naturais, abundantes daquela nação, mas estes recursos têm sido profundamente dilapidados pela corrupção e desgoverno, que traz uma crise social que existe ainda, à sombra do apartheid, que separava e discriminava os negros da minoria dominante branca. O regime foi embora, mas deixou um abismo racial que se reflete em toda as esferas da sociedade, agravado pelo alto índice de imigrantes oriundos dos encrencados vizinhos, sempre em guerra. É um país também com crises.

Quando falamos do Brasil, o que tem tido repercussão na mídia internacional, é o esfacelamento rápido do império financeiro de Eike Batista, que construiu um castelo de areia que ruiu recentemente. As evidências mostram que o empresário fez  tudo com o aval dos últimos mandatários nacionais, que foram no mínimo coniventes com o mau emprego de volumoso dinheiro público do BNDES, neste e em outros empreendimentos, que por certo poderá aprofundar o buraco de credibilidade, gerando assim  dificuldades em um futuro próximo. A aparente prosperidade nacional começa a mostrar suas fraquezas.

As trevas são a ausência de luz, assim como as diferentes crises do mundo, mostram a ausência da Igreja, que é  a luz do mundo. Por isso para a Igreja, toda crise é uma oportunidade. São nas horas de incertezas, de qualquer ordem, que o espírito humano se volta para o sobrenatural, sem dúvida, procurando Deus. Prova disso é o quanto cresce na Europa e nas nações desenvolvidas a busca pelo místico. Milhares de pessoas procurando qualquer coisa que possa preencher o vazio, que se torna mais visível em meio às crises.

Fui com Rosana, minha esposa,  orar na casa de um casal nas redondezas de Frankfurt, Alemanha, em que a filha ainda adolescente, se tornara satanista. Em função de tudo isso, um número que todos tentam esconder, principalmente, na Europa, é de suicídios, dilema que assola aquele continente e muitas outras nações no mundo, problema esse que se agrava em épocas difíceis.

Assim sendo, é possível ver que todas as crises, não importando a natureza, são fruto de um distanciamento de Deus e da fé. Um dia um jovem alemão me disse: “Não precisamos mais de Deus, pois temos nossas leis que fazem da Alemanha um estado e do continente europeu uma sociedade perfeita”. Porém, hoje vê-se que, esta afirmação não é verdadeira. Nenhum estado, sistema político ou econômico preenche o vazio do coração.  Pode atenuar o impacto social e financeiro na vida das pessoas, mas é provado ser inócuo contra as trevas e dilemas internos, que geram as crises pessoais humanas, que são as mais profundas.

As trevas são a ausência de luz, assim como as diferentes crises do mundo, mostram a ausência da Igreja, que é a luz do mundo. Em meio a crises é que devemos ser mais fortes como igreja. Cumprir nossa função de sermos sal e luz, que é o que pode não apenas atenuar as crises, mas sim, acabar com elas. Quando Deus entra em qualquer assunto, transforma. Quando alguém nasce de novo, acaba a crise, tanto na vida quanto na família ou nação, pois tudo entra na economia de Deus, na sociedade de Deus, na política de Deus e no mais bem-sucedido projeto no mundo chamado: família de Deus. O eterno cuida e zela por sua família dia e noite, pois como está escrito no Salmo 127.2: “Aos seus amados ele dá enquanto dormem”. Deus é especialista em transformar desgraças e crises em bênçãos, não importando se essas são pessoais, nacionais ou globais. “Entrega o teu caminho ao Senhor confia nele e o mais ele fará” (Salmo 37.5).

DE QUE LADO EU ESTOU

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“Estando Josué ao pé de Jericó, levantou os olhos e olhou; eis que se achava de pé diante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; chegou-se Josué a ele e disse-lhe: És dos nossos ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do Senhor e acabo de chegar”. Josué 5:13 e 14
Cheguei há poucos dias da Palestina, que apesar de ser uma região historicamente identificada, hoje é formada por diversos territórios autônomos, situados dentro do atual estado de Israel no Oriente Médio.
O objetivo da jornada, foi a realização de dois congressos com a Igreja palestina de fala árabe. Um em Nazaré, cidade de convívio misto e pacífico entre judeus, palestinos, católicos e protestantes; e o outro em Belém, esta sim, cidade com forte influência das facções políticas Hamas e Fatah que governam a Autonomia Palestina nas diferentes cidades que hoje estão separadas por muros impedindo que a população transite livremente.
Depois de um tempo com os Palestinos, incluindo a Igreja e com um pouco de conhecimento da complexa cena política, é fácil para um estrangeiro, cristão e brasileiro, mesmo sendo jornalista, como eu, condoer-se pela causa desses desvalidos que lutam por sua independência, sofrendo os desmandos das políticas vigentes. É fácil ver esta população de 4.2 milhões de habitantes  crescendo sem emprego e perspectiva, o que facilita seu envolvimento com grupos reacionários que chegam a extremismos radicais e ao terror, impedindo qualquer negociação democrática.
Por outro lado, por muitos anos tenho convivido também com os judeus, habitantes de Israel, cujo contingente populacional é de um pouco mais de 6 milhões de habitantes, que construíram com sangue e bravura sua história marcada por atentados, morte e todo tipo de atrocidades causadas por palestinos e seus aliados árabes, os quais têm o objetivo claro de riscar do mapa o atual estado Sionista, devolvendo às famílias palestinas, as propriedades perdidas a partir de 1948, quando foi criado o atual estado de Israel.
Contudo, na história de convívio entre as duas etnias, vê-se intransigências mutuas assim como atos de barbárie e massacres de inocentes protagonizados por ambos, o que dificulta toda e qualquer tentativa de uma paz duradoura na região. Os mártires atuais são bi laterais assim como o sangue na terra e a radicalização de posições.
Por isso, acredito que a comunidade cristã internacional deve ser persuadida a não tomar partido. Nos dois lados a cristandade é vista com desconfiança e é até mesmo perseguida. Para os Judeus, o cristianismo não passa de uma seita ilegítima. Prova disso que o governo de Israel tem sistematicamente criado leis que limitam a fé e influência cristã no país, como foi a lei contra o evangelismo e missionários, aprovada pelo knesset – parlamento judeu – no dia de Natal de 1977.
No meio da igreja palestina árabe em Israel e nos territórios da Autonomia, existe uma igreja formada por gente comprometida com Cristo assim como no meio dos Judeus. As comunidades messiânicas se fazem presentes com quase 5 mil irmãos que amam a paz. Mesmo que as distâncias econômicas, étnicas e sociais sejam imensas entre os dois grupos, existem pontos de proximidade e convergência. A paz é uma delas. Diversos irmãos constroem sistematicamente, pontes entre os dois lados e trabalham de forma incessante pelo convívio mutuo na região. A maioria da população de ambas as partes, na pequena nação, sonha com a paz. Creio que esta deve ser nossa posição.
A igreja, assim como o Príncipe Celeste visto por Josué, não tem lado. Somos do Senhor e quando pisamos em uma terra estamos lá para implantar o que vem de Deus, o que vem do alto. Não consigo ver o plano de Deus, dentro da visão da graça, tomando partido em questões políticas, mesmo em Israel. Nossa visão tem que ser aquela que implanta a justiça e alcança de modo igual todas as famílias da terra que estão debaixo da bênção de Abraão e depois debaixo da graça de Cristo. Josué queria saber de que lado estava o anjo, mas este depois de lhe dar um sonoro não, declarou que vinha da parte de Deus para implantar na terra o que Deus queria.
Para nós Igreja, o que Deus quer é que todos os homens e mulheres tanto judeus, quanto palestinos, sejam salvos. Não nos enganemos, pois, diante tanto do Islamismo Palestino quanto do Judaísmo Israelense nós cristãos somos indesejados e passíveis de perseguição e retaliação se quisermos viver intensamente e de forma piedosa a nossa fé . A comunidade cristã em geral, toma o lado de Israel. Recentemente uma Igreja no Texas, doou um tanque de guerra para ajudar o estado judeu a lutar  contra seus inimigos.
Outras atitudes, não tão estúpidas, mas igualmente radicais tem sido tomadas em favor dos palestinos, mostrando a tendência humana a ser, deste ou daquele lado. Se estivermos com os nossos grupos e caravanas enaltecendo um ou outro lado, estaremos de alguma forma fora do que Deus quer. Nem todo Palestino é terrorista e nem todo Judeu é opressor. Em ambos os lados a Igreja é presente e precisa de nossa oração, apoio e amor. Em ambos os lados a miséria humana é encontrada, precisando urgente na graça redentora de Jesus, de quem somos arautos.

 

De que lado eu estou? Posso orar pela paz em Jerusalém assim como oro pela paz em Gaza pois sou do Senhor Jesus !!!